Como funciona o mercado de
investimentos em startups via venture builder

As startups estão sempre captando investimento. Geralmente as empresas da nova economia iniciam com um investimento próprio, ou de algum anjo, mas logo em seguida se necessita de mais capital para crescer.

Será mesmo que ela necessita neste momento? A captação de recursos deve-se destinar a investimentos para crescimento de clientes ou desenvolvimento e melhoria do produto. Porém, nos primeiros anos de vida da startup o risco do investidor ainda é alto, e o custo para a startup em razão do seu equity é mais alto ainda.

Se a startup tiver como gerar caixa e aumentar seu faturamento, mostrando-se aderente ao mercado, faz com que o risco ao investidor reduza, seu valuation aumente, e o equity vendido se torne menor.

Mas como gerar caixa sem aporte financeiro? Nesse contexto, as venture builders desempenham um papel-chave no desenvolvimento dessas startups, afinal, utilizando recursos próprios e de investidores, as venture builders oferecem às startups os recursos operacionais e financeiros necessários para fazer as operações diárias rodarem.

Principalmente quando estão ligadas a uma empresa tradicional, chamadas de Corporate Venture Builder, o papel da CVB é entregar à startup, o capital intelectual e todo o trabalho da equipe, com visão de mercado, expertise operacional, modelo de verticalização do negócio e mercado, utilizando-se da rede de clientes e relacionamento da Corporate ao qual está vinculada.

As ventures builders também são excelentes caminhos para investidores que desejam ampliar seu portfólio com baixo investimento e risco mitigado, pois o investidor se torna sócio da venture builder, seu dinheiro é aplicado na operação desta para captação e desenvolvimento das startups. E só ficam nos portfólios da ventures builders àquelas startups que estão crescendo. Ou seja, o investidor torna-se sócio, também, de todas as startups do portfólio da VB.

 

Segundo a base de dados Crunchbase, cerca de US$ 288 bilhões foram investidos em startups pelo mundo durante o primeiro semestre de 2021. O número representou alta de 61% sobre último recorde, de US$ 179 bilhões investidos no segundo semestre de 2020. Na comparação com os US$ 148 bilhões do primeiro semestre de 2020, a alta foi de 95%.

Na separação entre investimentos em startups de estágio semente (angel e seed), estágio inicial (early stage) e estágio avançado (growth/late stage), a última categoria atraiu mais recursos. Foram US$ 11,3 bilhões investidos em estágio semente; US$ 81,1 bilhões investidos em estágio inicial; e US$ 195,3 bilhões em estágio avançado na soma dos dois primeiros trimestres de 2021.

Segundo o Inside Venture Capital, relatório da empresa de inovação Distrito, US$ 5,2 bilhões foram investidos em startups brasileiras neste primeiro semestre. Esse também é um recorde histórico, superando em 45% o visto ao longo de todo o ano de 2020. 

 

Assim como no panorama mundial, investimentos em estágio avançado concentram o maior volume captado. Essa realidade é ainda mais vista no Brasil: o late stage concentra 95% do volume investido.

Percebe-se que os olhares dos investidores estão para startups maduras, com mercado validados e em crescimento de vendas. Este panorama reforça a tese de que a startup precisa crescer com seus esforços e recursos para conquistar investimentos. E, novamente, a startup precisa buscar parceiros que os auxiliem neste crescimento e busca de recursos no momento ideal, tornando este cheque de investimento barato em relação ao seu equity.

“O investidor brasileiro está em busca de investimentos alternativos e mais retorno, dado o fim dos altos juros em aplicações como títulos do Tesouro Direito”, afirma Rodrigo Carneiro, CEO da SMU Investimentos.

“Esperamos que os próximos semestres sejam igualmente movimentados, graças ao amadurecimento do mercado somado à recuperação econômica e a superação da crise sanitária”, escreve o Distrito em seu relatório.

Temos um mercado brasileiro cada vez mais olhando para o investimento em startups e amadurecendo neste contexto. A nova economia começou a gerar interesse em pessoas que antes visavam o mercado financeiro através de investimentos em renda fixa e variável através de fundos bancários ou da bolsa de valores.

Temos também empresas tradicionais olhando para as startups como forma de inovação de processos operacionais e gerenciais, assim como para entrada e crescimento em novos mercados. Torna-se recorrente estas empresas criarem labs para intraempreendedorismo e para alcance destas startups em diversos estágios. 

“O que certamente pode acontecer no futuro próximo é uma escassez de boas oportunidades de investimento, o que pode levar a um aumento dos valuations e também à flexibilização dos termos de investimento. Não acreditamos que esse fenômeno seja passageiro. Ainda existem muitas ineficiências nas cadeias de valor e oportunidades na prestação de serviços que a tecnologia pode endereçar”, afirma Carneiro.

“Muitas corporações se viram muito mais atrasadas; muitos investidores se viram muito mais mal alocados; e muitos governos perceberam que são menos incentivadores de inovação do que imaginavam. Essa percepção generalizada é muito forte, que faz com que os investimentos em startups e empresas inovadoras de tecnologia ainda venham a atrair muito capital não só ao longo dos próximos trimestres, mas certamente nos próximos anos e talvez décadas”, concorda Dan Yamamura, sócio da gestora Fuse Capital. A Fuse Capital aportou em negócios como AIO, Fligoo e W.Dental.

 

Ana Paula Debiazi

CEO Leonora Ventures